Entre Flores e Verdades: a beleza real de ser mãe

Maio chega como um sopro delicado — é o mês em que as flores se abrem, mas também o mês em que olhamos com mais atenção para aquelas que, todos os dias, florescem por dentro: as mães.

Existe uma ideia antiga de maternidade que muitas vezes foi construída sobre perfeição, abnegação absoluta e silêncio. Mas a mãe de hoje carrega algo ainda mais potente: ela é real. E é justamente nessa realidade — com suas forças e fragilidades — que mora a sua grandeza.

A mãe moderna não é a que nunca erra, mas a que aprende. Não é a que nunca se cansa, mas a que segue mesmo cansada. Não é a que sabe tudo, mas a que busca, pergunta, reflete e cresce junto com o filho.

Do ponto de vista da psicologia, isso é profundamente saudável: crianças não precisam de mães perfeitas, precisam de vínculos verdadeiros, de presença emocional, de alguém que seja suficientemente boa, como diz Françoise Dolto — alguém que acolhe, que tenta, que repara quando necessário.

Assim como as flores, nenhuma mãe floresce o tempo todo. Há dias de sol e dias de poda. Há fases de crescimento e momentos de recolhimento. E tudo isso faz parte. O desenvolvimento humano — tanto da mãe quanto do filho — acontece justamente nesse espaço entre tentativas, erros, acertos e reconstruções.

Ser mãe, hoje, também é se permitir existir além da maternidade. É reconhecer seus limites sem culpa. É cuidar de si para conseguir cuidar do outro. É olhar para as próprias dores e escolher não as transmitir adiante, mas transformá-las. Isso é força. Isso é coragem. Isso também é amor.

Neste mês de maio, celebramos não apenas o ideal de mãe, mas todas as formas reais de maternar: as mães que acompanham a rotina escolar com atenção e carinho, as que trabalham fora e dentro de casa, equilibrando tantos papéis, as que enfrentam desafios pessoais e ainda assim se fazem presentes, as funcionárias que, com cuidado e afeto, também exercem diariamente um papel materno, e aquelas que, mesmo não sendo mães biológicas, escolheram amar, cuidar, orientar e acolher como tal.

A maternidade é, acima de tudo, uma construção de vínculo. E todo vínculo que acolhe, protege, ensina e sustenta merece ser reconhecido.

Que este mês das flores seja também um lembrete: vocês não precisam ser perfeitas para serem incríveis. Vocês já são, na medida em que seguem tentando, amando e se reinventando.

Parabéns a todas as mães Descobridora.

Parabéns a todas as mães.

Que vocês continuem florescendo — do seu jeito, no seu tempo, com toda a beleza que existe em ser quem se é.

 

Carla Póvoa

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