Setembro é verde. Verde de esperança. Verde de inclusão. Verde de um mundo que começa — ou deveria começar — com olhos mais doces para nossas crianças. E entre tantas campanhas e cores que o mês nos traz, o Setembro Verde convida educadores, famílias, gestores e toda a sociedade a pensar: será que nossas crianças estão verdadeiramente incluídas nos espaços onde deveriam florescer?
Incluir é mais do que aceitar
Inclusão não é apenas permitir que a criança esteja presente numa sala de aula, num parquinho, numa roda de conversa. Incluir é garantir que ela participe, pertence e seja reconhecida em sua singularidade. É entender que cada criança carrega uma história, uma linguagem, um jeito de ser que deve ser acolhido — e não corrigido.
Como nos lembra Lev Vygotsky, um dos pilares da psicologia educacional, o desenvolvimento humano acontece nas relações sociais. Ou seja: é no convívio com o outro que a criança cresce. Mas… crescer como? Quando não há espaço para suas diferenças? Quando o brincar é padronizado? Quando os afetos são medidos por rendimento ou comportamento?
Escola: terreno fértil para inclusão
A escola é, ou deveria ser, esse solo fértil onde cada criança é plantada com amor, regada com respeito e colhida com dignidade. Isso vale para todas: para a que corre no recreio, para a que precisa de ajuda para escrever, para a que fala com os olhos, para a que carrega na mochila um mundo interno barulhento e invisível.
A inclusão escolar verdadeira exige formação docente, projetos de convivência, adaptação curricular, escuta ativa e — acima de tudo — uma cultura de comunidade. Como diz a teoria do cuidado, de Carol Gilligan, educar também é um ato de ética e de responsabilidade com o outro.
Uma sociedade que aprende com as crianças
Enquanto adultos, temos muito a ensinar… mas temos ainda mais a aprender. Uma criança com deficiência ensina coragem. Uma criança neurodivergente ensina sensibilidade. Uma criança periférica ensina resistência. E cada uma delas — ao ser incluída com candura, afeto e respeito — transforma a sociedade num lugar mais justo.
Não estamos falando de caridade. Estamos falando de justiça social. Porque uma sociedade que inclui crianças em sua diversidade, também está preparando adultos mais empáticos, cidadãos mais conscientes e escolas mais humanas.
O compromisso é coletivo (e começa com um gesto)
Setembro Verde nos lembra que cada passo em direção à inclusão é um passo de muitos. Que nenhuma criança pode caminhar sozinha. Que os muros do preconceito só caem quando todos empurram juntos. E que é possível, sim, construir um mundo onde cada criança se veja representada, amada e valorizada. Que tal começarmos hoje?
- Dê espaço para a escuta;
- Respeite os diferentes tempos de aprender;
- Valorize o brincar como linguagem universal;
- Adapte, acolha, abrace.
E, acima de tudo, não desista de nenhuma criança.
Porque no jardim da infância humana, toda flor merece florescer.
Por Carla Póvoa – Psicóloga CRP 09/14517