FRUSTRAÇÃO NA INFÂNCIA

A função dos pais na superação da frustração e a não necessidade de criar situações frustrantes.

O conceito de frustração pode se dar por um sentimento que costuma surgir quando algo desejado ou esperado não ocorre. Ele estar relacionado com a sensação de incapacidade quando este acontecimento dependia da própria pessoa.

Se você é do time que acha que criança deve ser exposta a frustração de maneira proposital, seria interessante fazer uma análise de todo o contexto do por quê acha que isso deveria ser feito.

O fato é que nem crianças nem ninguém tem que ser exposto a sentimentos de raiva, tristeza ou frustração só pra saber lidar com eles, pois não se trata de algo quantitativo, mas sim qualitativo.

É certo que durante nossa vida passamos por situação felizes e tristes, mas isso são ocasionadas por fatores que não são determinantes por nós, mas sim por situações adversas. Não é querer poupar as crianças a todo custo da frustração nem as evitar, mas sim a necessidade de causa-las.

A frustração é algo que consequentemente vivemos no decorrer da vida, e não seria melhor os pais, portos seguro e referências para nossas crianças, ao invés de criar situações frustrantes, ensinar a criança a lidar com tais situações quando as mesmas surgirem?

Tomo como exemplo o natal: não dar o presente que o filho pediu apenas pelo fato de que ele tem que se acostumar a não ter o que deseja não é a melhor saída. Se há condições financeiras para que seja comprado o tal presente, por que não?

E se não há condições financeiras pra comprar o presente desejado, por que não sugerir outras alternativas de presentes explicando a situação financeira, planejar o futuro, inseri-los nas conquistas?

O grande problema da maioria das crianças quando estão nesse momento de frustração é insistir e tentar mais, continuam fazendo a mesma coisa repetidas vezes, o que faz aumentar a frustração.

Infelizmente, isso raramente resulta em sucesso e as emoções da criança podem se transformar rapidamente em raiva e até em desespero, que são emoções negativas.  Cabe aos pais ajudarem a criança a superar a frustração e encontrar soluções para os obstáculos que a confrontam.

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A dúvida de muitos pais é sobre como lidar com esse sentimento quando o mesmo é inevitável. Temos que ter em mente que ninguém gosta de ser contrariado. Crianças também não.

A diferença da criança para um adulto é que a criança ainda não sabe lidar com todas as suas emoções e por isso o papel tão importante dos pais de direciona-las para a melhor forma de solução desse conflito interno.

Quando a criança chora por estar frustrada, não devemos criar nenhum sentimento em cima daquela frustração, e também não é nada legal envergonhá-la ou causar medo, nem dizer que ela não precisava chorar por se tratar de algo banal; atitudes assim intensificam a frustração de uma maneira negativa, quando na verdade, devemos tomar algumas atitudes para que elas aprendam com a situação que causou a frustração.

Isso não quer dizer que temos ou devemos ceder ao choro da criança, só quer dizer que temos que ajuda-la a enxergar outras possibilidades.

O grande problema é que nós, adultos, sempre achamos que criança nunca pode “querer” coisas que consideramos inadequadas, se esquecendo que nossas crianças ainda estão em fase de internalização e associação de todas as regras sociais. E é por isso que ela se joga no chão, ela faz birra, ela chora, ela grita; são reflexos da frustração que ainda estão descobrindo.

Nossas crianças, ao contrário de que muitos pensam, sentem e entendem os fatos de uma maneira excepcional, desde que sejam explicadas. Achar que a criança tem que subtender ou entender um “não” sem fundamento, é algo tão cruel quanto trabalharmos durante um mês inteiro e não recebermos.

Educar com base no respeito e na empatia pelas nossas crianças exige uma mudança de olhar para nós mesmos, pois fazemos parte de uma geração criada por uma educação verbalmente violenta que associa obediência com medo. Se começarmos a refletir sobre nossas lembranças vamos sempre nos lembrar de nossas frustrações como um sentimento mal resolvido de algo que queríamos muito e fomos simplesmente podados sem razão ou explicação qualquer.

Digo por experiência própria que lidar com frustrações infantis requer muito mais controle e paciência de nós adultos do que das próprias crianças. Os “nãos” no decorrer da vida, irão existir, mas volto a salientar que a nossa principal função é que nossas crianças encarem um “não” de forma positiva, enxergando outras alternativas que amenizem seu sentimento de frustração.

Há diversas formas de ajudarmos nossas crianças a lidarem com esse sentimento, e irei elencar algumas formas, a primeira e principal delas, e explicar para seu pequeno que se sentir frustrado, triste, é algo normal e que nos torna mais fortes; se estiverem chorando incessantemente, acolha seu pequeno ou sua pequena, abrace, tente conversar sobre o assunto ou apenas respeite e compartilhe em silencio esse momento. Faça ele sentir que você está ali com ele.

Nunca diga “pare de chorar”. Substitua por “entendo seu choro”; tente explanar situações parecidas e as possíveis soluções e desfechos positivos

É preciso nos conscientizarmos de que as crianças precisam de mais, precisam do nosso olhar compassivo e do nosso crescimento e evolução como seres humanos, para se tornarem pessoas mais saudáveis e empáticos do que a nossa geração.

No decorrer da vida, nossas crianças passarão por diversos momentos frustrantes, não há necessidade de criarmos situações apenas para “testá-las” ou que elas aprendam a lidar com isso “na marra”.

Sejamos empáticos com o mundo, mas principalmente com as nossas crianças. Não é criar uma geração Nutela, como muitos dizem, mas sim criar uma geração consciente de que sempre há uma alternativa mais saudável.

Por Fernanda Colli

Foto Capa: FreePik

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