Vale a Pena Antecipar o Nascimento do Bebê?

Vale a pena antecipar o nascimento de um bebê para passar as festas de fim de ano em casa?

No mês anterior, falamos de prematuridade e dos riscos e sequelas que ela pode causar no desenvolvimento de uma criança. Muitos partos prematuros acontecem sem que haja uma causa específica. Porém, nessa época do ano em que estamos acontece um movimento bastante perigoso tanto para as gestantes, como para seus bebês. É a antecipação do nascimento a fim de evitar a passagem do Natal e Ano novo no hospital. E essa é uma decisão tanto dos médicos quanto das mães.

A prematuridade pode provocar alterações no desenvolvimento infantil

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou dados bastante preocupantes. Em 2016, a partir do dia 16 de dezembro houve um aumento significativo do número de cesarianas, o que indica agendamento de partos que deveriam ocorrer na semana entre Natal e Ano novo. Já na semana de 24 a 31 de dezembro, o número de partos caiu, cerca de 20% a menos que a média anual.

Pesquisas cientificas indicam que os bebês que nascem de cesariana sem indicação clínica, antes de completar 39 semanas necessitam de UTI neonatal com mais frequência. Como qualquer cirurgia, há risco de morte tanto para a mãe quanto para o bebê, principalmente por complicações respiratórias, devido à imaturidade do sistema pulmonar.

Para incentivar o parto normal, conscientizar famílias e a comunidade médica de todos os riscos de uma cesárea sem indicação clínica, a Agência Nacional da Saúde – ANS lançou, no início de dezembro, uma campanha chamada “A hora do bebê: pelo direito de nascer no tempo certo”.

Esperar a hora certa de nascer só traz benefícios. Cada semana a mais de gestação aumenta as chances do bebê nascer saudável. É nesse período que há mais ganho de peso e maturidade cerebral e pulmonar. Nas últimas semanas, o bebê está se preparando para se adaptar a vida extra-uterina. Nascer é um dos grandes desafios do ser humano. E quando a mulher entra em trabalho de parto, mesmo que ao final seja preciso realizar uma cesárea, o bebê está avisando: estou pronto para nascer!

A gestação é um período extremamente sensível para a mulher, são muitas mudanças e incertezas e é normal que ela queria ser atendida no parto pelo seu obstetra, que o acompanhou ao longo de todos os meses. Porém, alguns profissionais tiram férias nesse período e, por isso, acabam agendando o nascimento da criança, antes mesmo de completar as 39 semanas de gestação.

Nosso sistema de saúde faz com que a gestante se vincule a um único médico, que é o responsável pelo pré-natal e parto. Não há uma rede de apoio. O ideal é que o obstetra trabalhe em uma equipe de profissionais e que a gestante conheça todos os integrantes. Assim, quando entrar em trabalho de parto, será atendida por alguém de sua confiança, e não um plantonista do hospital.

No Brasil, temos um modelo de saúde que prioriza o nascimento de crianças de parto cesárea e ainda permite a “cultura do agendamento”. Para mudar esse cenário, é preciso uma mudança de paradigma, reorganizar o modelo de cuidado, práticas mais humanizadas e, principalmente, informação. Quando a gestante e seus familiares são informados dos riscos de se antecipar um nascimento, as escolhas são mais conscientes.

O bebê tem seu tempo e todas as fases devem ser respeitadas. Portanto, não há justificativas para o agendamento do parto, exceto quando há indicação clínica, ou riscos para mãe e/ou bebê.

Respeitar o tempo da criança é um direito. Festas de fim de ano têm todo ano, mas só se nasce uma vez!

O Descobrindo Crianças quer descobrir a criança de acordo com o seu tempo de desenvolvimento.

 

Por Fernanda Alves

 

 

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